Olá! Meu nome é BLACK SWAN.Sou um veleiro de 45 pés, 25 anos bem vividos, e campeão de muitas regatas oceânicas quando era ainda mais jovem. Agora moro em Paraty. Gosto de fazer cruzeiros com minha família, o Alê (meu capitão), a Bia (minha "chef"), o Erik, a Marina e o Ian (meus imediatos). Com nossos amigos, vivemos muitas aventuras na Baía da Ilha Grande e quem sabe, em outros lugares mais distantes!
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veleiroblackswan@gmail.com
Depois de um dia agitado, com uma certa disputa de espaço na Lopes Mendes com as lanchas, pouco a pouco, o movimento foi diminuindo, as lanchas foram se retirando e a praia foi ficando deserta... Perfeita para um passeio da minha querida tripulação! E lá fiquei eu, só vigiando e relaxando, finalmente!
De longe, era possível ver um enorme tonel na praia e, ao se aproximar, era possível ver um lindo lindo trabalho de mosaico... Uma surpresa no meio da Lopes Mendes!
A caminhada foi deliciosa... Corridas, brincadeiras, captura de tatuíras... Nem dava para imaginar que esta era a mesma praia que, durante o dia, estava lotada!!
E o sol começou a se pôr... Que espetáculo! Era como vislumbrar um quadro que se movia, momento a momento, se tornando cada vez mais belo!
Mas o presente da natureza não terminou por aí... Um bando enorme de tartarugas marinhas vieram para a praia e as crianças quase conseguiram tocá-las... Não foi fácil tirar fotos, mas dá para ver as cabecinhas saindo da água...
Mais um passeio que ficará na memória de todos que estiveram lá!
Meu mau humor naquele feriado de Carnaval já começou na saída de Paraty... Mar super movimentado, cheio de veleiros, lanchas e escunas seguindo para seus passeios... O que deveria ser um lindo espetáculo, virou uma demonstração de falta completa de educação! Várias lanchas de grande porte não respeitaram os limites de velocidade (8 nós até a Ilha do Mantimento) e passavam acima dos 20 nós!!!! E sabe o que acontece com esta velocidade? Enormes ondas balançando os veleiros e, pior ainda, escunas lotadas de turistas!! Um completo absurdo!!
Aos poucos fui me acalmando e curtindo o lindo feriado que começava! E lá estavamos nós rumo a parte leste da Ilha Grande! Em um post anterior, já contei um pouco sobre nossa visita à querida praia da Parnaioca, um pouco prejudicada pela maré vermelha...
Depois da Parnaioca (A), passamos pela Ilha de Jorge Grego (B) e seguimos para a Lopes Mendes (C) onde tínhamos um encontro marcado com minha amiga Duvel, que agora mora na Ilha da Gipóia!
Chegar na Lopes Mendes é sempre um prazer... Que praia espetacular! Longa, areias brancas, vegetação exuberante, altas montanhas...
Na Lopes Mendes, encontramos a Duvel no canto direito da praia, bem pertinho das pedras. Agora me digam, porque as lanchas gostam tanto dos cantinhos perto das pedras??
Meu comandante deu uma certa distância e baixou minha âncora. Mas não foi uma ancoragem tranquila... Logo, outras lanchas começaram a chegar e a se espremerem literalmente naquele mesmo canto!!
Uma delas, a Morena, deve ter ficado com uma queda por mim (forte, másculo, irresistível...rs) e quis chegar muuuuuuito perto... Tão perto, mas tão perto, que até parecia que éramos amigos íntimos!!!
Morena, você até que é simpática, bonitona, mas dá para ser menos oferecida??? Não gosto de mulher atirada assim! Sai prá lá!!!
Enquanto a Morena me assediava discaradamente, outras lanchas chegavam e queriam ancorar praticamente na praia... Eita folga!!
Só fui me acalmando quando vi o quanto as crianças estavam curtindo o lugar... Brincando nas pedras...
Remando divertidamente no nosso pequeno bote (Blackinho Júnior)... Também apelidado pela Bia de "Peru no Pires"! kkkkk
E aí fui ficando calminho, calminho... Não dá prá ficar estressado por muito tempo em um lugar paradisíaco como este!!
Depois de uma viagem tranquila, com o dia ensolarado, nos aproximamos da Parnaioca... Novamente a beleza estonteante da natureza do local surpreendeu a todos... A mata atlântica parecia ainda mais exuberante e florida...
Mas havia algo errado... Além de um forte odor de peixe (coitado do Alê!! rs), a água estava cheia de espuma! Será que havia acontecido algum vazamento de óleo? A cor da água também não estava normal...
Mesmo assim, desconfiados, descemos âncora e a tripulação seguiu para terra... Os quatro... em um botinho mínimo!! Pareciam um "peru no pires"!! O Blackinho havia sido deixado em Paraty, pois, em viagens longas, o rapaizinho provoca uma certa perda na minha performance! Acho que chega a "roubar" um meio nó na minha velocidade! Isso, em percursos pequenos, não é nenhum problema, mas a viagem desta vez seria mais longa... Então veio o Blackinho Júnior... Ideal para um casal, e um mico total para os quatro juntos!! E foi assim, com as bundas molhadas e com com sério risco de virarem, que a tripulação chegou em terra! E eu lá, só me divertindo com a cena... rs
Parece que o passeio deles foi divertido, embora o banho de mar não estivesse muito prazeiroso com aquela espuma e aquele odor... A sorte foi o rio de água doce, que estava fresco e limpo... Só não estava muito limpo de "turistas", pois todo mundo deixou a praia e foi para lá! Lotação na Parnaióca, dá prá acreditar??
No final da tarde, novamente no "pires", os quatro voltaram e a noite foi relativamente tranquila... Digo "relativamente" porque, embora o local seja protegido para pernoite, balança bastante! E, afinal, estamos acostumados com a Cotia... logo, todo lugar balança, né??
A saída da Parnaioca, no dia seguinte, foi ainda mais impressionante... A água, depois que passamos a "zona da espuma", estava absurdamente vermelha! Era isso, então! O fenômeno da Maré Vermelha!
Pesquisando na internet, a Bia encontrou mais informações sobre este fenômeno, infelizmente considerado um desastre ecológico, causado por desequilíbrios na natureza, como o lançamento de esgoto não tratado nas águas...Vejam o que diz o site Brasil Escola sobre o tema:
"O fenômeno Maré Vermelha é provocado pelo desequilíbrio ecológico resultante da excessiva proliferação da população de certas algas tóxicas, principalmente as dinoflageladas Gonyaulax catenella.
Contudo, a ocorrência desse evento não condiz com sua denominação, visto que a coloração da água na superfície do mar pode variar, e para dissociar tal acontecimento natural à pigmentação, comumente avermelhada, mas também com tonalidade marrom, esse pode ser denominado, com mais coerência, por apenas “floração de algas nocivas”.
As causas relacionadas a esse acontecimento são as seguintes: alteração na salinidade, oscilação térmica da água e excesso de sais minerais decorrentes do escoamento de esgoto doméstico nas regiões de estuário, alterando as condições abióticas da zona pelágica (de 0 a 200 metros de profundidade), consequentemente afetando o comportamento das espécies planctônicas.
A acelerada reprodução e aglomeração das algas dinoflageladas, com proporcional extenuação (morte) das mesmas, desencadeiam um efeito catastrófico na fauna aquática local, liberando substâncias tóxicas em alta concentração, capaz de envenenar a água e os organismos ali viventes, por exemplo, a morte em larga escala de peixes e moluscos. Em geral, os organismos filtradores são os mais atingidos"...
Fiquei triste... É uma pena que o ser humano, em nome do desenvolvimento urbano e industrial não pense nas consequências dos seus atos... E a natureza se revolta... Com razão...
E assim, com este aperto no coração, continuamos nossa jornada de contornar a Ilha Grande no Carnaval... Vejam no mapa que o Alê fez...
Nosso Roteiro pela Ilha Grande no Carnaval de 2012
Passamos a noite nos Meros. Ficamos de lado para as marolas quase o tempo todo. Ainda não sei bem por quê. Dormi fundo embalado pelo balanço... quando acordei, o Xupolho e o Skua já tinham ido. Saíram de madrugada. Vi quando eles passaram, logo que o sol nasceu.
O sol já estava forte quando ouvi o Alê acordando e andando pelo deck... "Que perigo, que perigo", ele ficava dizendo, enquanto olhava para o mar... É que esse pessoal aqui dos Meros não é muito bacana... A uns anos atrás, eles soltaram os cachorros na praia quando tinha criança andando. Um cachorro destes grandes mordeu uma das crianças no rosto. Foi bem chato... agora eles tiraram as bóias de umas poitas e os cabos estão flutuando a meia água. Perigo total para qualquer embarcação que estiver chegando na praia. E nós tivemos muita sorte!!! Tinha um cabo bem embaixo da gente. Chegamos no embalo com o motor desengatado... isto deve ter ajudado.
Assim se você estiver vindo, entre e vá o mais possível à bombordo, pq do meio da pequena baía para boreste há umas três dessas poitas abandonadas com cabos à meia água...
De qualquer maneira dava para ver as poitas lá no fundo na areia! Que visão linda, como a água estava limpa e cristalina dava para ver até a âncora unhada no fundo. Um grande cardume de peixes estava nadando embaixo do meu casco (também Alê... tem umas craquinhas por aqui né... rss) (Black, liguei pro rapaz que limpa teu casco, ele ta indo aí esta semana!)
O Filho do Vento, durante à noite tinha chegado bem perto de nós, mas a ancoragem do comandante foi perfeita e os barcos não se tocaram. Parabéns FDV!
A Bia, como sempre, serviu um café da manhã de encher o tanque até dos motores mais gastões! Com tanta comida até uma lancha andaria rápido!!! O Ale deve ter se animado, pq disse pra Bia: Vela pra cima! Ta na hora de velejar! Mas olhei lá pra fora e não vi nem sinal de vento... nada, nadinha... o mar liso, e sem nenhuma crista. Achei que não ia rolar. Tentei avisar o teimoso fazendo força pra vela não subir. Travei a adriça tudo que pude. O Ale, teimoso, ficou até suando, pediu emprestado até spray de lubrificante prô Murilo.
Presta atenção Ale, subir vela nunca foi difícil... o que vc acha que mudou hoje? Não tem vento!!! (rsss... foi engraçado, sorry!) Mas não teve jeito, não fui ouvido e a vela subiu para fazer barulho e descer sem ter trabalhado, logo na chegada da próxima ancoragem... e assim saímos para a Parnaioca! Esse era o nosso destino desde o carnaval!!! Esperamos uma queresma inteira para esse momento. Sem falar que já deveríamos ter dormido lá esta noite, mas como vocês viram, não estava muito apetitoso ir de noite para lá não.
Assim saímos, FDV e nós.
A chegada na Parnaíoca foi um momento muito especial! Como a maré ainda não tinha enchido, dava para ver de longe a faixa larga de areia branca, com os coqueiros e água que ia do azul a um verde esmeralda quando chegava perto da areia. A boreste de nossa entrada estavam alguns outros veleiros, dava para reconhecer o Skua, Vento, Tetiaroa, Odara... Que lugar lindo!
O Coca tava na água com a Ana Lú. Também pudera! A água estava perfeita!
Jogamos a âncora a mais ou menos uns 10 metros de profundidade, a uns 100 m do Vento e uns 300 da praia. Dava para ver ela tocando o fundo. Adoro água limpa e cristalina! Lá no porto, como a baia de Paraty tem uma camada de 14 metros de profundidade de lodo e minha quilha fica o tempo todo tocando o fundo, levantando suspensão, no dia a dia não consigo ver um palmo diante do bico de proa. Aqui via minha âncora lá nos dez metros. E Bia... que não é boba nem nada, saiu da cabine toda animada para entrar na água, mas falando: macarrão!!! Puxa essa mulher só pensa em comida!!?? Nada! Era uma daquelas bóias compridas de piscina!! Kkkkkkkkk. Assim, ficaram na água Bia, Ale, Murilo, Coca, Lú, Maria Helena, Marisa. O Ale parecia criança, e, lembrando os tempos de instrutor de mergulho fez várias descidas ao fundo.
A água estava tão boa que eles devem ter ficado boiando me fazendo companhia quase uma hora. Depois disso foram para a praia. A caminhada deve ter sido boa. A praia é larga e longa, a areia branca muito boa para andar. Do outro lado (à bombordo da entrada) várias lanchas e até escunas, de todos os tamanhos se juntavam. É que lá tem uma grande lagoa de água doce. Ouvi que subindo pelas margens desta lagoa tem uma cachoeira. Rio acima tem inclusive quedas de água grande. Na praia caminhavam Ale, Bia e Ana Lú, que mostrou seu "anel de compromisso" para os dois. A Lú, tão querida, já compromissada... é comandante, o tempo tá passando, daqui a pouco vocês trazem os netos à bordo! Eu vou gostar! Bebê remoça todo mundo!!!
O almoço não foi a bordo. Mesmo tão longe de tudo tem restaurante! Que coisa boa! Na verdade a Parnaíoca já foi a maior vila da ilha grande (linkpost anterior) e na caminhada além de conhecerem as ruínas, o camping, -- que apesar de modesto é muito bem montado, e seu dono, dizem, um excelente anfitrião, preocupado com o meio ambiente e com o futuro do lugar – conheceram também o restaurante da dona marta. A Bia fez um relato inteiro sobre ele: clique aqui para ver!
No meio da tarde o Skua resolveu voltar com o Tetiaroa para Paraty. O Xupolho que é irmão menor do Skuairia ficar para completar a volta na Ilha! Bravo esse barco, salada de xuxu com repolho!
Assustados com o tanto que tinham balançado na noite anterior, os outros barcos ficaram confabulando sobre qual seria o melhor lugar para dormir. Na outra ponta, deste lado, mas numa pequena reentrância perto do braço de terra que fica à boreste da entrada, aqui, ali.. Enquanto isso, vi o blackinho com o Alê indo para a ponta de terra à bombordo de quem sai. Talvez uma meia milha adiante. Lá, largou o botinho e se meteu na água. Faltava um pouco para o sol começar a se por. O mergulho, entre pedras enormes e muitos peixes grandes, com várias tocas para serem exploradas pareceu ser uma delícia.
Já com o sol deixando a Baia da Ilha Grande, o blackinho voltou e foi a vez da sessão de fotos. Mais um por do sol espetacular. Como são lindos os meses de Abril e Maio. Obrigado, Papai do Céu!!!
O jantar foi a bordo, mais uma vez a Bia arrebentou. Vi os dois irem dormir muito felizes!
Acordei às 05:00... O Mestre André estava mexendo em tudo. Colocando almofadas no lugar, tirando o cheiro de veneno da dedetização que o Alê pede para fazerem de seis em seis meses... Ainda é cedo André! Mas ao invés de me ouvir ele trabalhou duro e eu fiquei tinindo, pronto pra viajar logo cedo! Do jeito que estava abastecido a viagem desta vez ia ser boa. E eu, doido para velejar, assisti ao sol nascendo.
Algum tempo depois, a Bia e o Alê chegaram. Pela pouca bagagem logo vi que viriam sozinhos. Feriado sem os teens... que pena!
Logo, a movimentação para zarpar começou e vi que iríamos até a Ilha Grande! Só que, desta vez, para o lado oposto ao continente, onde estão as praias mais preservadas e selvagens! Outros veleiros iriam conosco e comecei a escutar meu comandante combinando a saída e o destino com outros barcos... Filho do Vento, Filho do Vento, é Black Swan! Vento, Vento, é Black Swan! Skua, Skua, é Black Swan! Duvel, Duvel, é Black Swan!
O almoço!!
Enquanto o Alê preparava a saída, a Bia preparava a comida!! E o cardápio parecia delicioso: Cassoulet e Arroz Sete Cereais!
O Vento e o Skua já haviam partido à duas horas... E o Filho do Vento iria conosco!
O dia estava claro e sem nuvens... Mas, será que teríamos vento? Saímos motorando até a Ilha dos Meros, onde o vento deu o ar da sua graça... Não era um super vento, mas o suficiente para a minha mestra subir!
Como é bom estar de volta à ativa, depois de 15 dias no pier!
A viagem foi muito tranquila e o Filho do Vento, só com o Murilo e a Mariza, nos acompanharam por um bom trecho... Até que, sem muita explicação, o Filho do Vento se afastou, provavelmente para tentar buscar mais vento!
Depois de algumas horas, o Filho do Vento continuava distante e não respondia pelo rádio... Meu comandante o chamava insistentemente e nada... De longe, parecia que o barco estava parado, batendo as velas...
O sinal do rádio não estava bom, mas conseguimos comunicação com os outros veleiros... Vento, Odara, Skua e o pequeno Xupolho (um Paturri 16) estavam à nossa frente... O Vento e o Odara seguiram para pernoitar na Parnaioca, nosso destino também.
Como o Filho do Vento não respondia, decidimos voltar em direção a ele para saber se havia algo errado... E o sol começava a se pôr... lindamente...
Ao chegarmos próximos do Filho do Vento, percebemos que estava tudo bem... Mas nada do rádio funcionar... E como a noite caia, Bia e Alê decidiram pernoitar na Praia dos Meros, mais próxima que a Parnaioca... O Skua e o Xupolho também iam pernoitar lá. E nada de consegur avisar nossos amigos do Filho do Vento!!
Segui em direção à praia dos Meros, ainda iluminado pelos últimos raios do sol... Que pôr do sol espetacular!! A Bia não se cansava de fotografar a paisagem, embora tenha ficado um pouco "mareada" na viagem, pois o mar estava bem mexido!
Avistando a ponta da Ilha Grande, onde fica a Praia dos Meros, fomos premiados com um céu que parecia irreal... Mas não era não!! Quem estava lá, viu!
Enquanto isso, o Filho do Vento rumava para a Parnaioca... Como avisá-lo que mudamos o pernoite?? Felizmente, ele percebeu que eu entrei na baía da Praia dos Meros e... ligou o rádio!! Que bom!! "Black Swan, Black Swan, é Filho do Vento"!!
Destino acertado, Filho do Vento corrigiu sua rota e finalmente ancoramos nos Meros, já noite! Skua e Xupolho já estavam lá. Mas vocês devem estar se perguntando... Que nome é esse? Segundo o Renato, atual comandante do Skua (um Delta 32) e antigo proprietário do Xupolho, que agora pertence ao seu irmão, Miguel, é uma homenagem a dois ingredientes maravilhosos da nossa cozinha... o Xuxu e o Repolho!! kkkkkkkkkkkkk (adorei isso!!)
E, para fazer jus ao Xuxu, o Xupolho é verde!! É isso aí, guri! Você arrasou! Com apenas 16 pés e 2 tripulantes, chegou muito bem à Ilha Grande, vindo de Paraty!!
Terça feira de Carnaval... Nosso destino, ainda na maravilhosa Ilha Grande, era a Vila do Abraão... Saímos do Saco do Céu, depois do nosso segundo pernoite lá, e em menos de 1 hora estávamos chegando na parte mais agitada da Ilha Grande.
No mapa, fomos do ponto 3 para o ponto 5:
Este é o porto de entrada de toda a Ilha Grande, com a balsa que faz ligação com o continente... Além da balsa, a Vila possui muitas pousadas, restaurantes, comércio... E o dia estava especialmente agitado, afinal, era Carnaval, e o movimento de saída de turistas era grande! Minha tripulação aproveitou o dia para caminhar pela praia (que podia estar mais limpa, infelizmente...), almoçar em um local bem legal, "pé na areia", de frente para a baía (Restaurante Lua e Mar), tomar sorvete e açaí com granola no centrinho... Enquanto isso, eu observava tudo de longe... todo este agito... e eu lá, tranquilo, só esperando a turma voltar para continuarmos nossas aventuras!
Depois da Aventura na Gruta do Acaiá ("2" no mapa da Ilha Grande), nosso feriado de Carnaval continuava animado! Rumávamos para o Sítio Forte ("b"), onde passaríamos a noite com outros veleiros amigos... Mas meu comandante queria fugir da chuva (afinal, estávamos com 4 aborrescentes, digo, adolescentes à bordo... rs) e o Sítio Forte parecia estar com o céu bem carregado... E esta é a fascinação de se estar à bordo de um veleiro... Mudanças de planos e rotas são fáceis e rápidas! Vamos seguir para o Saco do Céu então!! Mas antes, meu comandante acionou seus contatos:
"Cadiquinho, Cadiquinho, é Black Swan!" A chamada pelo rádio logo foi respondida... "Quem chama Cadiquinho?"
Cadiquinho é o dono de um restaurante dentro do Saco do Céu, o Refúgio das Caravelas, amigo de longa data do meu comandante... Tanto que, para melhor se identificar, o Alê mencionou meu antecessor, o Desgarrado, um Fast 395, que também deu muitas alegrias para a família (dizem até que a Bia chorou quando os novos donos foram tomar posse do barco... será que é verdade??)
Pronto! Tudo acertado! Jantar no Saco do Céu, com direito à poita do restaurantes para passarmos a noite! Mas ainda tínhamos algumas milhas pela frente... Vejam no mapa ("3"):
Cicatrizes na Ilha Grande RJ
No caminho para o Saco do Céu, pudemos ver as "cicatrizes" da Enseada do Bananal, feitas pela enorme chuva do Reveillon de 2009... Reveillon este que minha família estava à bordo do Together (também um fast 395), adquirido em sociedade com o Ricardo Costa após a venda do Desgarrado, ancorados no Sítio Forte! Tão perto da tragédia da Pousada Sankai... vocês se lembram?
Ficamos impressionados com o movimento petrolífero na região... Navios, plataformas... A paisagem estava dominada por grandes construções de aço e ferro... Sinais claros que o litoral brasileiro continuará sofrendo grandes modificações por conta dos investimentos do pré sal... Vai-se o presídio, vem a indústria do petróleo...
Ian e Marina curtindo a proa do barco
Passando pela Ilha dos Macacos (na parte superior do mapa), o movimento de barcos aumentou muito... Era fim de tarde e muitos estavam voltando para Angra, depois de passar o dia nas calmas enseadas da ilha... Continuava nublado, mas o céu já dava sinais de melhora... parecia mais claro e a temperatura se elevou... Foi o suficiente para nossos "I POD/I PAD/I PHONE/I TOUCH adicts" saíssem da toca e viessem apreciar a paisagem!
Phillipe todo penteado!
Erik cheio de "estilo"
Refúgio das Caravelas (Saco do Céu - Ilha Grande RJ)
Finalmente, chegamos ao nosso destino! O Saco do Céu e, mais precisamente, o restaurante Refúgio das Caravelas! Logo um bote, com o famoso Cadiquinho à bordo, veio nos recepcionar, ajudando à pegar a poita e já entregando o cardápio para irem "adiantando" o jantar dos famintos à bordo!
Feito o pedido, todos foram se arrumar para o jantar... Banho, roupa bonita, perfume, gel nos cabelos... Quando o Alê viu aquela turma toda arrumada (Bia e Marina de calça jeans... Erik, Ian e Phillipe de bermudões), começou a rir... "Pessoal, vamos atravessar o mangue com água acima do joelho! É o único jeito de chegar no restaurante! kkkk"
Roupas adaptadas para a situação, lá foi a turma... Que aventura para chegar a um restaurante!
Estacionando o "blackinho"...
Entrando no Refúgio, depois de atravessar o mangue!
E a diversão gastronômica foi grande! Casquinha de siri, Lula a dorê, Bobó de Camarão, Peixe na Folha de Bananeira, Bife Acebolado (para o Alê, que não come peixe...)
Além de boa comida, ambiente caseiro, com a recepção calorosa do Cadiquinho e de sua esposa Ângela...
Enquanto isso, tranquilo em minha poita, eu descansava da longa viagem até ali... Mas valeu cada milha... Minha família feliz, águas mansas e um lugar paradisíaco... Que mais eu podia querer??
Black Swan ancorado no Saco do Céu - Ilha Grande RJ